É um work in progress, mas acho que está aqui o meu primeiro fado.
Se, um dia...
Se, um dia, amor, tu souberes
como te calaste em mim,
num grito sem ambição.
Ficou o eco de ti
nos corredores em que cresci,
lembrando-me a solidão.
Se, um dia, amor, tu vieres
percorrer o meu caminho,
num lugar que foi só teu,
talvez me possas ver,
perdido em vez de ser,
que a saudade converteu.
Um dia, amor, se encontrares
num dos quartos, já vazio,
a querência a que és imune,
encontras estas palavras escritas
no meu peito, são benditas:
És tu quem as reúne.
Agora é juntar-lhes um fado Acácio.
terça-feira, março 13, 2012
terça-feira, março 06, 2012
Continuo a exasperar pelo facto de alguns conseguirem o que nem me atrevo a tentar.
Cântico Negro - José Régio
"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
Cântico Negro - José Régio
"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
quarta-feira, fevereiro 29, 2012
Interrogações
Porque precisamos de nos definir por aquilo que fazemos, ou como ocupamos o nosso tempo? Porque somos definidos pela forma como o comunicamos aos nossos amigos, família e conhecidos? Somos, ou somos em comparação com os pares? A comparação começa dentro do sujeito que pergunta. Como podemos pedir para os outros o que não esperamos de nós?
Mais uma definição, mais um momento de cisão e decisão. Que me define? É muito pouco e demais o que me define... e não tem retorno palpável, mas também o dispensa. Como já escrevi, gosto de ter mão em mim e assusto-me quando me fujo entre os dedos. Obviamente que, quando tento apertar a mão, mais me verto entre eles. Os anelos de definição são intrínsecos, mas terão resposta satisfatória em algum momento? Espero que não. Pelo menos tenho essa procura e ela é válida, impele-me.
Porque me agrada que já não venha aqui ninguém se perco a partilha que traz sentido a estas palavras?
Interrogações...
Mais uma definição, mais um momento de cisão e decisão. Que me define? É muito pouco e demais o que me define... e não tem retorno palpável, mas também o dispensa. Como já escrevi, gosto de ter mão em mim e assusto-me quando me fujo entre os dedos. Obviamente que, quando tento apertar a mão, mais me verto entre eles. Os anelos de definição são intrínsecos, mas terão resposta satisfatória em algum momento? Espero que não. Pelo menos tenho essa procura e ela é válida, impele-me.
Porque me agrada que já não venha aqui ninguém se perco a partilha que traz sentido a estas palavras?
Interrogações...
quarta-feira, novembro 23, 2011
Sobre nada
Como é que se reactiva um blog há muito moribundo? As engrenagens, enferrujadas, não se movem e o tema não surge. Alguns teóricos da escrita postulam que, nestas situações, se deve escrever, sobre nada, por vezes até sem fazer sentido e que o acto mecânico do toque nas teclas, quase por artes mágicas, faz nascer o texto, o tema. Mesmo que as primeiras frases não façam sentido, ele revela-se quase inesperadamente, quase inconscientemente a determinado momento.
A plenitude, em mim, condiciona a escrita. Rouba-me a vontade ou o mote ou o espoletar do texto. É paradoxal esta limitação que me advém da felicidade.
Este post foi um lubrificante do processo criativo... não tem objectivo ou tema ou moral ou, sequer, pertinência. Foi uma aplicação da perspectiva apresentada no primeiro parágrafo... sobre nada.
A plenitude, em mim, condiciona a escrita. Rouba-me a vontade ou o mote ou o espoletar do texto. É paradoxal esta limitação que me advém da felicidade.
Este post foi um lubrificante do processo criativo... não tem objectivo ou tema ou moral ou, sequer, pertinência. Foi uma aplicação da perspectiva apresentada no primeiro parágrafo... sobre nada.
segunda-feira, abril 06, 2009
Meu amor,
"Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não."
Sophia de Mello Breyner Andersen in Mar Novo, Obra Poética II, Editorial Caminho
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não."
Sophia de Mello Breyner Andersen in Mar Novo, Obra Poética II, Editorial Caminho
segunda-feira, março 30, 2009
quinta-feira, março 19, 2009
diplomacia de casa-de-banho
Sempre me acusaram de ser diplomata, por vezes até em demasia.
Face à questão da diferença entre um senhor educado e um senhor diplomata, exponho a seguinte situação, da forma como Franco Nogueira, figura proeminente da conjuntura política no tempo da outra senhora, o fez:
Imaginem-se convidados na casa de outrem. Durante o convívio bastante formal na sala-de-estar, com os respectivos anfitriões, sobem para ir à casa-de-banho. Entrando na casa-de-banho, deparam-se com uma senhora a sair da banheira.
O senhor educado retira-se e diz: "mil perdões, minha senhora!"
O senhor diplomata retira-se e diz: "mil perdões, cavalheiro!"
Face à questão da diferença entre um senhor educado e um senhor diplomata, exponho a seguinte situação, da forma como Franco Nogueira, figura proeminente da conjuntura política no tempo da outra senhora, o fez:
Imaginem-se convidados na casa de outrem. Durante o convívio bastante formal na sala-de-estar, com os respectivos anfitriões, sobem para ir à casa-de-banho. Entrando na casa-de-banho, deparam-se com uma senhora a sair da banheira.
O senhor educado retira-se e diz: "mil perdões, minha senhora!"
O senhor diplomata retira-se e diz: "mil perdões, cavalheiro!"
quinta-feira, março 05, 2009
quarta-feira, janeiro 07, 2009
2009
Ora aí está! Um ano novinho em folha, onde tudo será diferente, a inflação baixará, assim como os preços da gasolina e a Euribor. O poder de compra subirá! Crise? Qual crise? Gosto muito deste discurso autista do nosso Prime.
As pessoas deixam de fumar e de comer fritos. Prometem ligar mais vezes e ser melhores seres humanos... Tudo isto até 15 de Janeiro...ou 30, vá.

Voltando à crise. Vejam a situação deste prisma: estamos em crise há 20 anos, correcto? Pelo menos, desde que sou pessoa, humana e pensante, vejo o meu país em crise e ouço o discurso da crise. Portanto, somos, certamente, o país melhor preparado para o(s) ano(s) que aí vem(vêm). Nada mudará!
Bom, tenho de fazer pelo menos 1 post por ano. Até 2010!
As pessoas deixam de fumar e de comer fritos. Prometem ligar mais vezes e ser melhores seres humanos... Tudo isto até 15 de Janeiro...ou 30, vá.

Voltando à crise. Vejam a situação deste prisma: estamos em crise há 20 anos, correcto? Pelo menos, desde que sou pessoa, humana e pensante, vejo o meu país em crise e ouço o discurso da crise. Portanto, somos, certamente, o país melhor preparado para o(s) ano(s) que aí vem(vêm). Nada mudará!
Bom, tenho de fazer pelo menos 1 post por ano. Até 2010!
terça-feira, julho 29, 2008

Hoje, dia 18 de Julho de 2008, foi aprovada, pela Assembleia da República, a Ordem dos Psicólogos.
O desejo tornou-se realidade.
A Direcção da APOP
Não posso deixar de escrever algumas palavras de apreço, felicitação, admiração e agradecimento àqueles que tornaram realidade um processo de cuja marcha dependia o destino de uma profissão. Penso não estar a exagerar quando o digo, não tanto pela filtragem profissional consequente (e estou a falar de áreas como cristaloterapia, macumba, alexandra solnadismo, ou mesmo astrologia psicológica), mas pelo estabelecimento de directivas deontológicas e profissionais nesta profissão onde é tão fácil errar e tão difícil perceber como ou porquê errámos. Com esta perspectiva, em nada tento, ou quero, diminuir estas abordagens. A legitimidade do caminho terapêutico não está em causa, apenas se torna necessário estabelecer premissas e regulamentos na actividade do psicólogo na sociedade, não só a bem da profissão e da Ciência, mas a bem das pessoas que estão a montante e a jusante desta equação.
Os portugueses ficaram a ganhar...
terça-feira, janeiro 22, 2008
Incutindo terror nos próprios terroristas
De um modo extremamente inteligente, Portugal estabeleceu uma rede anti-terrorismo que é a mais avançada das presentes em território europeu. Esta rede é composta por várias fases de defesa, como revela este exemplo: Um grupo de terroristas chega à Portela num dia de greve dos serviços de "handling" que, inevitavelmente, perdem as suas bagagens, leia-se as suas bombas. Quando isto não acontece, apanham tipo o Sporting a chegar de um qualquer jogo para as competições europeias. Ora, vindo de uma derrota certa, gera-se uma confusão no aeroporto pior do que a originada pelo rebentamento de qualquer bomba, facto que dissuade de imediato os eventuais terroristas.
De seguida, apanham um táxi que os leva ao seu destino, mas com "efeito"(como os remates de futebol que descrevem um arco para chegar à baliza), pelo que lhes leva todas as suas poupanças, cuidadosamente amealhadas durante anos de sacrifício, tendo em vista o momento da libertação mártir. Ora, sem dinheiro e sem bombas, o terrorista sente-se sozinho no campo de batalha. É, de facto, uma estratégia muito inteligente.
Resta-lhes, através da comunicação inter-células terroristas, agrupar uma série de componentes altamente tóxicos e fabricar uma bomba num quarto de um motel. Assim que destapam os frascos, batem à porta. É, obviamente, um inspector da ASAE com o respectivo técnico, engenheiro, que vem medir a quantidade de particulas tóxicas por metro cúbico de ar. Insistindo que os indivíduos haviam estado a fumar dentro do quarto, o inspector confisca-lhes os maços de tabaco. Acaba por confiscar os produtos tóxicos, mas só por "pirraça". Temos, a esta altura, terroristas sozinhos, sem bombas e sem tabaco, logo, com os nervos à flor da pele.
Como estamos pela altura do Carnaval e os indivíduos não suportam a vergonha de voltar à sua terra com um fracasso na mochila, compram um morteiro e dirigem-se para a estação de S. Apolónia. O seu objectivo é tentar descarrilar um comboio à chegada. Colocam os explosivos, à hora combinada acendem o rastilho e... nada! O comboio vem atrasado, como sempre aliás. É, então, nesta altura que desistem e vão tentar em Espanha ou em França.
Bravo, Portugal!
De seguida, apanham um táxi que os leva ao seu destino, mas com "efeito"(como os remates de futebol que descrevem um arco para chegar à baliza), pelo que lhes leva todas as suas poupanças, cuidadosamente amealhadas durante anos de sacrifício, tendo em vista o momento da libertação mártir. Ora, sem dinheiro e sem bombas, o terrorista sente-se sozinho no campo de batalha. É, de facto, uma estratégia muito inteligente.
Resta-lhes, através da comunicação inter-células terroristas, agrupar uma série de componentes altamente tóxicos e fabricar uma bomba num quarto de um motel. Assim que destapam os frascos, batem à porta. É, obviamente, um inspector da ASAE com o respectivo técnico, engenheiro, que vem medir a quantidade de particulas tóxicas por metro cúbico de ar. Insistindo que os indivíduos haviam estado a fumar dentro do quarto, o inspector confisca-lhes os maços de tabaco. Acaba por confiscar os produtos tóxicos, mas só por "pirraça". Temos, a esta altura, terroristas sozinhos, sem bombas e sem tabaco, logo, com os nervos à flor da pele.
Como estamos pela altura do Carnaval e os indivíduos não suportam a vergonha de voltar à sua terra com um fracasso na mochila, compram um morteiro e dirigem-se para a estação de S. Apolónia. O seu objectivo é tentar descarrilar um comboio à chegada. Colocam os explosivos, à hora combinada acendem o rastilho e... nada! O comboio vem atrasado, como sempre aliás. É, então, nesta altura que desistem e vão tentar em Espanha ou em França.
Bravo, Portugal!
quinta-feira, dezembro 20, 2007
Natal
Escrevo para vos desejar, aos resistentes leitores deste blog que tem duas velocidades, devagar e parado, um bom Natal, com muitos presentinhos nesses sapatinhos, com boas comidas, bons afectos, boas conversas e muito calor, dentro das casas e dentro de vós.

Como sabem, o Natal é época de eleição para mim...
Happy Xmas!

Como sabem, o Natal é época de eleição para mim...
Happy Xmas!
quinta-feira, outubro 18, 2007
Triste Fado

Diz, quem sabe, que "O fado nasceu um dia,/ quando o vento mal bulia/ e o céu o mar prolongava,/ na amurada dum veleiro,/ no peito dum marinheiro/ que, estando triste, cantava". Em mim, o fado nasceu do querer e não ter, nasceu de uma existência pequena demais para uma consciência que teimava, dolorosamente, em sair. Nasceu de uma Lisboa, aguarela de fim-de-tarde, de um amarelo dourado abraçando o tejo. Nasceu de uma tristeza intrínseca que se enamorou por uma voz que a espelhava, escape que a vida não acalentava, expressão que as palavras, só por si, não permitiam.
Na rua do Capelão, imersa na dor da distância, alguém fez uma jura: "Se o meu amor vier cedinho,/ eu beijo as pedras do chão/ que ele pisar no caminho.", tão sincera, tão desesperada que não era possível não a ouvir, por mais ensurdecedora que fosse a azáfama à volta. Afinal, "todos nós temos Amália na voz/ e temos na sua voz/ a voz de todos nós"...
quarta-feira, outubro 03, 2007
segunda-feira, outubro 01, 2007
segunda-feira, setembro 10, 2007
O bacalhau da discórdia
Sempre gostei desta estória. Não se aplica exclusivamente ao sistema conjugal. Creio que é abrangente às relações humanas. Quanto maior a intimidade, maior a probabilidade de se verificar.
Caricaturando com o exemplo da mulher que «pensa que sabe» que o marido adora bacalhau, porque nos primeiros tempos de casados fez grandes elogios ao «seu» bacalhau com natas. Ao longo dos 20 anos de casados «foi-lhe fazendo», frequentemente, pratos de bacalhau. Até que um dia, no meio de uma discussão, o marido explode: "Estou farto de tudo, principalmente de bacalhau"; resposta da mulher: "Mas tu adoras bacalhau, que eu sei; dizes isso só para me aborreceres!"; surpresa do marido: "Adoro?! Detesto, sempre detestei!"; ela: "Mas nunca o disseste, nunca te queixaste..."; ele: "Não te queria contrariar nos teus gostos: achava que quem adorava bacalhau eras tu!"; conclusão da mulher: "Pois então fica sabendo que também eu detesto bacalhau. Comi-o muitas vezes, todos estes anos, para te agradar!".
in Relvas, "O Ciclo Vital da Família - Perspectiva Sistémica"

Este tipo de equívoco comunicacional (A não-comunicação na comunicação) tem tanto de humor como de inevitabilidade. Tomar consciência deste fenómeno e contrariá-lo faz de nós pessoas mais adaptadas ao que os outros esperam que façamos.
Bottom line: Comuniquem, não tenham medo de se repetir.
Caricaturando com o exemplo da mulher que «pensa que sabe» que o marido adora bacalhau, porque nos primeiros tempos de casados fez grandes elogios ao «seu» bacalhau com natas. Ao longo dos 20 anos de casados «foi-lhe fazendo», frequentemente, pratos de bacalhau. Até que um dia, no meio de uma discussão, o marido explode: "Estou farto de tudo, principalmente de bacalhau"; resposta da mulher: "Mas tu adoras bacalhau, que eu sei; dizes isso só para me aborreceres!"; surpresa do marido: "Adoro?! Detesto, sempre detestei!"; ela: "Mas nunca o disseste, nunca te queixaste..."; ele: "Não te queria contrariar nos teus gostos: achava que quem adorava bacalhau eras tu!"; conclusão da mulher: "Pois então fica sabendo que também eu detesto bacalhau. Comi-o muitas vezes, todos estes anos, para te agradar!".
in Relvas, "O Ciclo Vital da Família - Perspectiva Sistémica"

Este tipo de equívoco comunicacional (A não-comunicação na comunicação) tem tanto de humor como de inevitabilidade. Tomar consciência deste fenómeno e contrariá-lo faz de nós pessoas mais adaptadas ao que os outros esperam que façamos.
Bottom line: Comuniquem, não tenham medo de se repetir.
terça-feira, julho 24, 2007
Tempos de "velhos do restelo"
"(...) O que cumpre afirmar, pelo contrário, é que os alfacinhas, sem qualquer hesitação, depois de analisarem com cuidado todos os programas e todos os candidatos, decidiram actuar em consciência.
Vejamos o que diziam esses programas e esses candidatos:
a) Que Lisboa tem sido mal governada e está, neste momento, à beira da bancarrota;
b) Que Lisboa não tem espaços verdes suficientes, pelo que é uma cidade poluída e suja;
c) Que Lisboa tem um urbanismo desastroso, desarrumado e caótico que demorará gerações a rectificar;
d) Que Lisboa tem uma gatunagem terrível e que é preciso mais polícia e mais segurança;
e) Que Lisboa tem demasiadas casas devolutas e que ninguém lá quer viver por ser demasiado cara;
f) Que Lisboa tem injustiças sociais flagrantes que urge corrigir sob pena de se aumentar, ainda mais, a insegurança;
g) Que Lisboa tem obras piores que as de Santo Engrácia, como, por exemplo, as do Metro do Terreiro do Paço;
h) Que Lisboa tem lá o Governo de que ninguém gosta.
Ora, face a isto - e crendo os lisboetas que todos, sem excepção, como cumpre aos políticos, apenas lhe diziam a verdade - que restava a um cidadão consciente fazer?
a) Votar no Costa e reforçar a presença do Governo?
b) Votar no Carmona e reforçar o descalabro financeiro?
c) Votar no Negrão e recear a bancarrota?
d) Votar na Roseta e permitir mais insegurança?
e) Votar no Ruben e temer a revolução?
f) Votar no Zé e apostar no embargo?
g) Votar no Telmo e arriscar-se a não ver nada?
h) Votar num pequeno partido e desperdiçar um voto?
Ou, a única, verdadeira e clara hipótese de recusar a situação absurda e sem saída em que caímos - fugir para longe e esperar que a crise passe?
Pois foi esta última a solução escolhida pela maioria dos lisboetas. Fugir da bancarrota, da poluição, do mau urbanismo, da insegurança, do custo de vida, da desigualdade, das obras inacabadas, do Governo e da oposição!
Quem pode levar a mal tal escolha?
Quem pode condenar tal sageza?
A felicidade, como deves saber, caríssimo novel presidente da Câmara, é o que qualquer humano almeja. A felicidade não deve ser negada. E, tendo em vista os resultados, todos os lisboetas que não votaram tiveram, ao menos, esse dia feliz."
Comendador Marques de Correia
In Única/ Expresso nº1812 de 21 de Julho de 2007
Vejamos o que diziam esses programas e esses candidatos:
a) Que Lisboa tem sido mal governada e está, neste momento, à beira da bancarrota;
b) Que Lisboa não tem espaços verdes suficientes, pelo que é uma cidade poluída e suja;
c) Que Lisboa tem um urbanismo desastroso, desarrumado e caótico que demorará gerações a rectificar;
d) Que Lisboa tem uma gatunagem terrível e que é preciso mais polícia e mais segurança;
e) Que Lisboa tem demasiadas casas devolutas e que ninguém lá quer viver por ser demasiado cara;
f) Que Lisboa tem injustiças sociais flagrantes que urge corrigir sob pena de se aumentar, ainda mais, a insegurança;
g) Que Lisboa tem obras piores que as de Santo Engrácia, como, por exemplo, as do Metro do Terreiro do Paço;
h) Que Lisboa tem lá o Governo de que ninguém gosta.
Ora, face a isto - e crendo os lisboetas que todos, sem excepção, como cumpre aos políticos, apenas lhe diziam a verdade - que restava a um cidadão consciente fazer?
a) Votar no Costa e reforçar a presença do Governo?
b) Votar no Carmona e reforçar o descalabro financeiro?
c) Votar no Negrão e recear a bancarrota?
d) Votar na Roseta e permitir mais insegurança?
e) Votar no Ruben e temer a revolução?
f) Votar no Zé e apostar no embargo?
g) Votar no Telmo e arriscar-se a não ver nada?
h) Votar num pequeno partido e desperdiçar um voto?
Ou, a única, verdadeira e clara hipótese de recusar a situação absurda e sem saída em que caímos - fugir para longe e esperar que a crise passe?
Pois foi esta última a solução escolhida pela maioria dos lisboetas. Fugir da bancarrota, da poluição, do mau urbanismo, da insegurança, do custo de vida, da desigualdade, das obras inacabadas, do Governo e da oposição!
Quem pode levar a mal tal escolha?
Quem pode condenar tal sageza?
A felicidade, como deves saber, caríssimo novel presidente da Câmara, é o que qualquer humano almeja. A felicidade não deve ser negada. E, tendo em vista os resultados, todos os lisboetas que não votaram tiveram, ao menos, esse dia feliz."
Comendador Marques de Correia
In Única/ Expresso nº1812 de 21 de Julho de 2007
segunda-feira, julho 16, 2007
Segunda-feira
Não pares para pensar. Vive à margem daquilo que, realmente, és. Se o fizeres, se parares, passam-te à frente, aqueles que não o fazem. Se o fizeres, sê rápido! Sem introspecção, os momentos vão acumulando, mais e mais e mais. Com sorte os do princípio da pilha que criaste são esmagados pelos posteriores. Sem sorte descompensas, és levado no turbilhão de quem és. Largas o leme, demasiado pesado, já não viras. Sê autómato, restringe-te aos momentos de felicidade, rápidos e efémeros, intervalos na continuidade da existência. Não pares para os gozar! Ficas para trás... Não tentes ver a teia por trás daquilo que és, de onde és, ou como és. Quem o fez viu-se à margem, foi idolatrado fora do seu tempo, morreu, às vezes literalmente, outras figurativamente. Que ténue a linha da felicidade relativa! Caminho estreito o da vivência feliz. Cuidado, não te desequilibres... podes cair.
quarta-feira, julho 11, 2007
terça-feira, maio 15, 2007
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